O "POSITIVO"
Eu sonhava em ser mãe. Imaginava que imensa alegria seria ter uma pessoinha que eu ia amar por toda vida, queria conhecer este que era o mais verdadeiro amor.Mas eu estava convencida de que eu não poderia ser mãe ainda. Para ser mãe é preciso estar perto da família, ter carro, casa própria, dinheiro no banco, um bom emprego e muita responsabilidade. Eu não tinha nada disso.
Sozinha com meu namorido no Rio de Janeiro, longe da família, sem carro, morando numa kitnet alugada pavorosa, cheia de dívidas, ganhando salário mínimo e totalmente atrapalhada com tantos compromissos (trabalhando fora de manhã + fazendo faculdade em período integral à tarde e à noite + ensaiando uma peça de teatro depois da faculdade + sendo dona de casa sem ajudante em cada minuto livre), eis que tiro um palitinho do xixi e vejo lá duas listras absolutamente nítidas!
Minhas pernas ficaram bambas, meu coração disparou. Reli a bula do teste. Duas listras = POSITIVO. Não havia dúvidas. Voltei a olhar para o palitinho.
Cinco minutos depois, ainda estava eu no banheiro da faculdade, olhando para o palitinho, com a cabeça vazia. Eu não queria pensar. Eu não queria rir nem chorar. Era uma boa notícia essa que o palitinho me dava? Eu não queria responder.
Quando voltei a pensar, pensei primeiro na kitnet pavorosa, um quarto com cozinha, com barro e mato na frente, sem ventilação. Pensei depois nos ônibus lotados que eu pegava todos os dias. Pensei na minha vida maluca, de nunca conseguir terminar o que tinha começado, porque tinha tanta coisa sempre para começar e tão pouco tempo disponível para terminar.
Depois pensei que havia uma pessoa dentro de mim. Uma pessoa! Naquele momento dois corações batiam dentro do meu corpo, e há alguns minutos atrás eu nem desconfiava. Agora eu sabia, eu teria dois corações para sempre, primeiro dentro de mim, depois um deles estaria fora, mas seria sempre meu, porque eu sabia, o meu coração de dentro sempre sentiria o que esse outro de fora sentisse.
Aí eu já não conseguia parar de pensar: "É um menino ou uma menina que está aqui? Como ele é? Há quanto tempo está aqui? Há quanto tempo não como verduras? Será que o McBacon com Coca Cola e fritas que comi hoje não farão mal a ele?"
Não pensei mais na kitnet nem nos ônibus lotados. Guardei com carinho o palitinho que me deu a notícia. Comecei a rir e chorar de tanto rir. Era uma boa, uma ótima, uma maravilhosa notícia!
CAINDO A FICHA
Saí do banheiro me sentindo o máximo. Eu era mãe e tinha tanta coisa para fazer. Mãos à obra!
1º Comprei um caderno para anotar todas as coisas que eu precisava aprender. Eu não sabia nada sobre ser mãe, mas eu pesquisaria e aprenderia, e criaria meu bebê da melhor maneira possível.
2º Comprei uma sopa de legumes na cantina da faculdade, em vez de coxinha com refri. Até que era gostoso.
3º Fui a um telefone e liguei para o plano de saúde para saber sobre consultórios de ginecologistas ali por perto da faculdade. Eu queria conseguir um encaixe para aquele mesmo dia. Mas não consegui. Só consegui agendar consulta para a outra semana.
4º Voltei para a facul porque no momento não havia mais nada que eu pudesse fazer. Mas em vez de prestar atenção na aula fiquei pensando em como contar ao pai... que não queria nem saber de ter bebê!
Fiquei uns dias sem contar para ninguém. Parecia que era um segredo só entre o bebê e eu, que ninguém poderia invadir essa nossa intimidade, um sentimento egoísta que eu tive. Enquanto eu não contava para ninguém, o bebê era apenas meu, ninguém sonhava com ele, só eu.
Por fim, resolvi contar para minha mãe. Telefonei. Eu achava que ela ia dizer que eu devia ter me cuidado melhor, que eu não tinha quem me ajudasse, que nossa situação ainda era difícil... Em vez disso, minha mãe que é toda quietinha, que fala baixinho, começou a gritar de alegria do outro lado do telefone. "Um filhinho da minha filhinha, meu Deus, obrigada!", ela gritava e ria...
Fui aprendendo muita coisa: Uma gestação durava 40 semanas em média (e não nove meses). Refrigerante não era legal (fiquei sem tomar a gravidez toda). Parto devia ser normal (até então eu acreditava que cesária era mais seguro para a mãe e o bebê!)
COMEÇANDO A SER MÃE
Chegou o dia da consulta com o ginecologista, 22/10/08. Eu contei a ele sobre o positivo de farmácia, e os sintomas. Há semanas eu estava com enjôos, azia, muito sono, dor de cabeça... Não tinha nem idéia se minha menstruação estava atrasada, eu nunca lembrava de marcar o dia dela... Eu tinha parado de tomar pílula há pouco mais de um mês, para passar a tomar injeção, e como tinha que ter um mês de pausa entre um e outro, e estava esperando a menstruação descer para tomar a injeção. Não tinha planejado a gravidez. Achava que não engravidaria tão fácil, já que tomava pílula há dois anos.
O médico já pediu os exames todos, uma ultra, e o beta só para constar. Saí da consulta e já deixei no laboratório sangue e xixi.
Meu marido estava deitado para dormir e me perguntou sobre minha menstruação. Eu sempre fazia um auê no primeiro dia da menstruação, por causa das cólicas, então ele sentiu falta aquele mês. Eu tive que contar a ele. Eu sabia que ele ia ficar contrariado. Falei, séria: "Minha menstruação não veio. Fiz um teste de farmácia, deu positivo. Fiz o de sangue e ainda não saiu o resultado. Vou fazer uma ultra amanhã. Vai comigo?"
Ele ficou mudo me olhando. Virou as costas para mim. Não disse nada.
E foi assim, dessa maneira, que aconteceu o dia de contar ao papai, com que as mamães sonham...
No dia seguinte (23/10/08) fiz a ultra, sozinha. Que coisa mais linda aquele feijãozinho com o coração batendo tão forte! Tinha 6 semanas e 1 dia, e 4,8mm. Conversei muito com minha barriga, porque eu chorava muito, e não queria que o bebê se sentisse rejeitado. Disse que o papai não tinha ainda vontade de ser papai, e era preciso termos um pouco de paciência, mas eu já o amava muito e faria tudo que estivesse ao meu alcance para que ele fosse muito feliz desde já.
Quando o resultado do beta saiu, eu contei ao meu namorido que tinha dado positivo. Contei também que já tinha feito a ultra e ouvido o coraçãozinho. Ele me falou umas coisas que me deixaram muito triste e depois não me disse mais nada durante uma semana. Nem me olhava. E eu chorava, não por mim, mas porque doía muito ele ter falado daquele jeito do bebê que eu amava tanto. Pensei em ir embora, voltar a morar com minha mãe no interior de São Paulo. Só não fui porque, quando eu vim morar no Rio, a minha cunhada tinha me dito que eu estava errada, e que eu voltaria depois com um filho na barriga e sem ter conseguido nada, como tinha acontecido com uma amiga dela. E acima de tudo eu não queria que ela pudesse dizer: eu avisei.
PAPAI APAIXONADO
Os exames tiveram ótimos resultados. Apesar de todo o mal estar e dos problemas, eu curtia muito minha gravidez.
Ganhei um par de sapatinhos e uma roupinha, no meu trabalho. Em casa, o meu namorido começou a querer conversar. Falei que estava tudo bem com o bebê. Ele disse: "Ainda não caiu minha ficha." Mostrei a ele os presentinhos, ele começou a rir do tamanho do sapato, minúsculo, ele achava que não caberia. Falei: "Mas eles nascem muito pequenininhos". Ele continuou rindo para o sapato. Então eu disse: "Agora caiu sua ficha?"
Caiu. Ele me disse que não era falta de amor, mas excesso. Queria ter um filho quando pudesse dar tudo a ele, e não poderíamos, mas já que ele já estava ali íamos dar o melhor que pudéssemos. No dia seguinte, finalmente ele resolveu contar para os pais dele. A mãe dele já sabia, porque minha mãe já tinha dito, mas minha mãe tinha pedido que ela esperasse para falar com ele. Minha mãe sabia que ele não estava aceitando. A família dele estava tão feliz, que ele decidiu embarcar na felicidade. De repente se apaixonou completamente pelo bebê.
Não me pediu desculpas, nem eu cobrei. Esqueci tudo que ele tinha dito. Eu estava conversando com umas mães em uma comunidade do Orkut, Gravidez: Caminho de um Sonho, tinha contado minha história e elas estavam me dando conselhos, o que eu mais ouvia é que os homens são assim mesmo, mas depois tudo passa, e que eu devia ter paciência.
Ele, hoje, jura que nunca disse nada. Simplesmente não se lembra de nada. Amnésia pós-paixão.
GRAVIDÔMETRO
Este era o meu gravidômetro:
1 mês :10/10/2008 - 4 semanas e 2 dias.
2 meses :10/11/2008 - 8 semanas e 4 dias.
3 meses :10/12/2008 - 13 semanas
4 meses :10/01/2009 - 17 semanas e 2 dias.
5 meses :09/02/2009 - 21 semanas e 5 dias.
6 meses :11/03/2009 - 26 semanas
7 meses :11/04/2009 - 30 semanas e 2 dias.
8 meses :11/05/2009 - 34 semanas e 5 dias.
9 meses :11/06/2009 - 39 semanas
Data Provável do Nascimento :17/06/2009
Lembrando que sempre contei a partir da idade gestacional considerada na primeira ultra, porque não lembrava a DUM.
A concepção foi dia 22/09/2008, contando pela data da concepção e levando em conta que meu ciclo é de 25 dias, dava DPP para 15/06/2009, praticamente a mesma coisa.
O PRIMEIRO TRIMESTRE
Foi uma loucura o primeiro trimestre. Eu enjoei muito, tinha muita azia, dor de cabeça e sentia muito sono. Minha vida era uma loucura, e eu encasquetei que poderia continuar fazendo tudo que fazia antes. De manhã eu ia trabalhar, depois do almoço pegava um ônibus lotado até o centro (1h30 de viagem), lá pegava outro até a faculdade (mais meia hora). Chegava na faculdade geralmente atrasada para a aula. Assistia aula como podia, geralmente tinha aula até as 20h. Das 20h às 23h eu ensaiava uma peça. Então pegava os ônibus para casa e chegava 0h30, 1h. No dia seguinte, tudo de novo. A casa, eu só limpava no fim de semana, e então tinha que fazer faxinas boas, lavar roupa, passar. Tudo isso sempre passando muito mal.
Chegava sempre muito atrasada no trabalho porque passava muito mal de manhã, e lá tudo ficava malfeito. Faltava muito na faculdade, fiz o semestre aos trancos e barrancos, com notas péssimas, reprovei em uma disciplina, e só não reprovei em mais porque alguns professores foram extremamente bonzinhos. Minha casa virou uma bagunça total.

Meu niver em 24/11/08, com o pessoal do teatro

Em cena, grávida de 11 semanas
O SEGUNDO TRIMESTRE
Assim que se passaram os três meses, os enjôos sumiram como mágica. Fiquei me sentindo muito bem.
Eu jurava que o bebê era menino. Eu tinha certeza! O nome era Felipe. Ganhei muita roupinha azul, verde, dos parentes no Natal. Em janeiro, com 18 semanas, fiz a ultra. Menina! Fiquei tão surpresa! Mas fiquei tão feliz! Devia ser maravilhoso ser mãe de menina!
Com 21 semanas fiz a ultra morfológica. Eu estava nervosa, mas estava tudo muito bem com minha menininha. O médico até me mostrou rapidinho em 4D! O nariz igual ao meu e a boca igual à do pai!
Em fevereiro, nem sei porque, o médico em um exame de toque me disse que o lado externo do colo do útero estava amolecido. Fiquei apavorada, chorei muito! Mas fiz uma ultra transvaginal, para avaliar o lado interno, e estava fechado. Ele me disse que não havia então motivos para preocupação.
Mas eu me preocupei. Estava decidida a continuar minha loucura de trabalho e faculdade (da peça eu estava de "licença" porque a barriguinha já estava aparecendo). Diante disso, desisti. E como não podia parar de trabalhar porque precisava do dinheiro, parei a faculdade...
Nós nos mudamos para um apartamento com sala e dois quartos, bonitinho. Ficou apertado para pagar, mas nossa filha tinha que morar em um lugar decente!
Eu idealizava muito o quartinho dela, virei uma fanática em revistas de decoração de quartos de bebês, planejava... Era maravilhoso!
O segundo trimestre foi muito gostoso!

20 semanas

27 semanas
O TERCEIRO TRIMESTRE
Minha barriga começou a ficar imensa...
Meu médico era notadamente cesarista. Sempre que me contava dos bebês nascidos, tinha sido cesária. Ele já tinha me dito algumas coisas: que eu era pequena e o bebê provavelmente seria grande, que ele só esperava até 39 semanas porque mais do que isso era perigoso... E eu dizia: sim, sim.
Eu não gostava muito da idéia de fazer uma cirurgia, mas pensava em fazer cesária porque, na minha santa ignorância, achava que era mais seguro para a bebê e para mim. Mas fui lendo sobre os benefícios do parto normal, até que não tive mais dúvidas: eu me decidi pelo parto normal.
Falei que queria parto normal e perguntei se ele faria meu parto. Ele falou: claro, a menos que você não queira. Falei: eu quero, mas quero NORMAL. Ele disse que tudo indicava que poderia ser, estava tudo bem com a gestação. Disse que às vezes as mulheres falam que querem normal e na hora começam a gritar por cesária, mas ele via que eu era forte e conseguiria normal se tudo estivesse bem.
Diante disso, tive certeza de que ele só fazia cesárias, mas faria meu parto normal como eu queria.
Quando eu estava com 34 semanas, o GO em um exame de toque disse que a bebê estava encaixada, e isso era preocupante. Mandou que eu tomasse corticóide. Eu parei de trabalhar. E comecei a fazer ultra perfil biofísico fetal toda semana.
Eu tinha muita contração de BH. Comecei a perder tampão com 36 semanas, era como um catarro, sem sangue.
Com 36 semanas, o médico disse que se eu quisesse parto normal teríamos que induzir o parto, porque a bebê prometia ser grande e eu sou pequena. Essa indução seria com um comprimido. Na consulta de 37 semanas, ele disse que induziríamos na próxima semana. Comecei a pesquisar sobre indução. Aí começou meu desespero. Eu não queria induzir, porque descobri que com colo desfavorável poderia acabar em cesária, e porque a bebê poderia não estar pronta... Queria que minha filha nascesse no tempo dela. Então eu iria recusar.
Mas havia problemas. Eu tinha que convencê-lo a esperar meu trabalho de parto. Trocar de médico seria complicado. Médico do SUS eu não queria. Não consigo confiar no SUS do Rio de Janeiro, tive experiências catastróficas. Médico de convênio sempre é cesarista. E eu não podia ficar sem médico, porque se a gestação fosse até 42 semanas, eu precisaria de acompanhamento.
36 semanas e meia
O TRABALHO DE PARTO
Da semana 37 para a 38, comecei a sentir tudo que se possa imaginar. A barriga ficou muito baixa e ficava dura direto, às vezes tinha contrações com dor, sentia cólicas exatamente como as que eu tenho no primeiro dia da menstruação, dores nas costas, muita pressão lá embaixo. Eu não liguei para o médico nenhuma vez. Torcia para entrar logo em trabalho de parto, sentia que chegava a hora, mas eu achava que por enquanto eram só prodromos, porque não conseguia sentir regularidade nas contrações, e porque estava esperando sentir uma dor absurda.
Eu estava com infecção no ouvido e doía demaaais, estava sem dormir há duas noites de tanta dor, acho que usei isso como comparação, porque para mim trabalho de parto pouco doeu.
Na véspera de completar 38 semanas, comecei a perder um pouquinho de sangue com o tampão. No dia em que completava 38 semanas, tive consulta de pré-natal. Na sala de espera, às 10h, senti uma pressão muito forte, e corri para o banheiro porque parecia que a bebê ia sair! rsrs Fiz xixi e quando me limpei saiu um mundo de sangue gosmento, marrom-avermelhado. Era muito, não parava de sair. E depois ficou saindo sangue vermelho-vivo. Coloquei papel, e entrei para a consulta. Falei tudo que eu estava sentindo, o médico me examinou e disse que eu estava em trabalho de parto. A bebê estava encaixada, o colo estava quase apagado e eu estava com 3 de dilatação. Mandou que eu fosse para casa, e fosse para a maternidade às 13h.
Avisei meu marido, que ficou desesperado rsrs. Fui para casa. Eu tinha medo de ir cedo para a maternidade e acabar cheia de intervenções, então não fui às 13h como o GO tinha me dito, planejei ir só quando as contrações estivessem de 5 em 5 minutos. Mas eu não conseguia monitorar direito porque quase não sentia dor, a barriga endurecia, mas eu ficava meio confusa, parecia de 5 em 5, daqui a pouco parecia que era de 7 em 7, depois 6. Até q engrenou: 5 em 5 minutos, fomos para a maternidade. Eram 15h.
Chegamos lá e fiquei um tempão esperando na recepção... E para minha decepção, as contrações voltaram a ficar desordenadas.
Fiz a ficha, fui para o meu quarto, coloquei a camisolinha com bumbum de fora. Estava tranquila, minha mãe nem acreditava... Meu único medo era acabar em cesária. Avisei a ela: não vou aceitar se ele me mandar para cesária. Naquela hora eu me sentia mesmo capaz de recusar se sentisse que era desnecessária.
Meu marido foi um fofo, a gravidez toda disse q não ficaria comigo no parto porque ficaria muito nervoso, mas desde que chegamos na maternidade ele não arredou o pé de mim, ficou comigo o tempo todo, segurando minha mão, filmou o parto... Foi muito lindo da parte dele porque sei que ele estava muito nervoso mesmo.
Fui para a sala de pré-parto umas 16h, o médico deu o toque e eu ainda estava com 3 de dilatação, colo amolecido. Então entrei na ocitocina para conduzir o trabalho de parto. Fiquei lá deitada com aquele tubo na mão. E com dor de ouvido, muita fome e muuuuito sono por causa das duas noites sem dormir. Depois de um tempo a dor de ouvido foi aliviando, as contrações ainda estavam bem suportáveis, toda a equipe saiu pra comer e fiquei lá só com a instrumentadora, que falava, falava... Foi me dando um sono, e eu cochilei. A instrumentadora apagou a luz, e quando a equipe entrou tomaram um susto daqueles, me vendo dormindo em pleno trabalho de parto!
Por volta de 19h30, tive q tomar analgesia por causa do sorinho @#$¨&!!! Aguentei sem analgesia o quanto pude porque não queria, toda a equipe estava surpresa em ver o quanto eu estava aguentando, mas chegou uma hora que eu estava vendo estrelinhas e não deu mais para aguentar... Fui sentindo o líquido na minha espinha, aí a dor foi aliviando, e fiquei sentindo só as dorezinhas leves do início.
Fui para a sala de pré-parto umas 16h, o médico deu o toque e eu ainda estava com 3 de dilatação, colo amolecido. Então entrei na ocitocina para conduzir o trabalho de parto. Fiquei lá deitada com aquele tubo na mão. E com dor de ouvido, muita fome e muuuuito sono por causa das duas noites sem dormir. Depois de um tempo a dor de ouvido foi aliviando, as contrações ainda estavam bem suportáveis, toda a equipe saiu pra comer e fiquei lá só com a instrumentadora, que falava, falava... Foi me dando um sono, e eu cochilei. A instrumentadora apagou a luz, e quando a equipe entrou tomaram um susto daqueles, me vendo dormindo em pleno trabalho de parto!
Por volta de 19h30, tive q tomar analgesia por causa do sorinho @#$¨&!!! Aguentei sem analgesia o quanto pude porque não queria, toda a equipe estava surpresa em ver o quanto eu estava aguentando, mas chegou uma hora que eu estava vendo estrelinhas e não deu mais para aguentar... Fui sentindo o líquido na minha espinha, aí a dor foi aliviando, e fiquei sentindo só as dorezinhas leves do início.
O PARTO
Eram umas 20h30, ele veio dar o toque de novo e disse que eu estava com 10 de dilatação.
Fui para a sala de parto, mas como me deram mais analgesia não senti NADA durante todo o expulsivo, nada, nada, nada, nem as contrações eu sentia mais. Precisavam ficar com a mão na minha barriga pra me avisar quando eu estava contraindo. Me senti uma inútil.
Fui para a sala de parto, mas como me deram mais analgesia não senti NADA durante todo o expulsivo, nada, nada, nada, nem as contrações eu sentia mais. Precisavam ficar com a mão na minha barriga pra me avisar quando eu estava contraindo. Me senti uma inútil.
Era muito difícil fazer força sem sentir nada, não conseguia fazer a força certa, fui começando a ficar nervosa, com medo de não conseguir empurrar a Lorena. Quando me diziam: é agora, eu tentava de todas as maneiras. E ficava angustiada quando me diziam que a contração tinha passado e eu tinha que esperar para voltar a empurrar. Até que descobri a maneira e fui empurrando, a cabecinha dela aparecendo e eles me dizendo: ih é cabeludaaa! E ela ficava virando a cabeça de lado, era só soltar um pouquinho e ela teimosa virava de lado. Precisavam ficar colocando a cabecinha dela na posição.
E força, força e mais força, eu sentia a cabecinha dela passando entre as minhas pernas e era maravilhoso. Senti o corpinho todo passando por mim. Nasceu! Eles me mostraram, mas eu sou míope, estava sem óculos e não enxerguei nada. Entregaram rapidinho pra a pediatra. Eu, como só tinha ouvido um choro muito baixinho, achei que a menina estava mal e fiquei nervosa, esperando. A pediatra fez os primeiros procedimentos e a colocou em cima de mim. Fiquei aliviada. Meu marido me deu meus óculos para que eu a enxergasse. Ela estava ali, no meu colo, perfeitinha, saudável, toda assustada, nervosa. Fiquei passando a mão na mãozinha dela e dizendo: “Não fique com medo, mamãe está aqui...” E meu marido tb dizia: “Oi, Lorena, é o papai...” Ela olhava para mim e para ele... e se acalmou. Foi muito emocionante ver que ela reconhecia nossas vozes e se sentia mais segura conosco... Era tanta coisa nova na vidinha dela, mas ela podia perceber que havia algo de familiar ali, algo q ela conhecia bem, o carinho da mamãe e do papai. Foi o momento mais lindo da minha vida, vou me lembrar para sempre dessa primeira vez em que olhamos uma para a outra e nos reconhecemos como mãe e filha. Tentei amamentar, mas ela não quis. Quando levaram ela de mim fiquei me sentindo estranha, sozinha, ela estava comigo há quase nove meses, de repente não estava mais ali comigo, estava com outras pessoas... Eu só conseguia contar os minutos pra vê-la outra vez.
Fui levada para meu quarto, e o engraçado foi que 3 enfermeiros diferentes, sabendo q era parto normal, vinham fazer em mim procedimentos de cesária, aí diziam: ai, desculpa, foi normal, esqueci... Um deles disse que eles já estão mecanizados com os procedimentos de cesária.
E força, força e mais força, eu sentia a cabecinha dela passando entre as minhas pernas e era maravilhoso. Senti o corpinho todo passando por mim. Nasceu! Eles me mostraram, mas eu sou míope, estava sem óculos e não enxerguei nada. Entregaram rapidinho pra a pediatra. Eu, como só tinha ouvido um choro muito baixinho, achei que a menina estava mal e fiquei nervosa, esperando. A pediatra fez os primeiros procedimentos e a colocou em cima de mim. Fiquei aliviada. Meu marido me deu meus óculos para que eu a enxergasse. Ela estava ali, no meu colo, perfeitinha, saudável, toda assustada, nervosa. Fiquei passando a mão na mãozinha dela e dizendo: “Não fique com medo, mamãe está aqui...” E meu marido tb dizia: “Oi, Lorena, é o papai...” Ela olhava para mim e para ele... e se acalmou. Foi muito emocionante ver que ela reconhecia nossas vozes e se sentia mais segura conosco... Era tanta coisa nova na vidinha dela, mas ela podia perceber que havia algo de familiar ali, algo q ela conhecia bem, o carinho da mamãe e do papai. Foi o momento mais lindo da minha vida, vou me lembrar para sempre dessa primeira vez em que olhamos uma para a outra e nos reconhecemos como mãe e filha. Tentei amamentar, mas ela não quis. Quando levaram ela de mim fiquei me sentindo estranha, sozinha, ela estava comigo há quase nove meses, de repente não estava mais ali comigo, estava com outras pessoas... Eu só conseguia contar os minutos pra vê-la outra vez.
Fui levada para meu quarto, e o engraçado foi que 3 enfermeiros diferentes, sabendo q era parto normal, vinham fazer em mim procedimentos de cesária, aí diziam: ai, desculpa, foi normal, esqueci... Um deles disse que eles já estão mecanizados com os procedimentos de cesária.
Fui para o quarto, minha mãe estava ali comigo, e meu marido também, umas duas horas depois me trouxeram a bebê e ela mamooou muito! Foi maravilhoso! Passei mais uma noite em claro porque não conseguia dormir de tanta babação, fiquei a noite toda olhando para ela.
Ela nasceu com 3,175k e 50 cm, muito mais linda do que eu consegui sonhar...

Nenhum comentário:
Postar um comentário